quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

São Bernardo de Claraval - Grande impulsionador da Ordem Cisterciense:






Para muitos, São Bernardo é o pai da Ordem Cisterciense, mas, ao ingressar em Cister, fundado em 1098, encontrou um grupo de monges com um projeto bem determinado. Tratava-se de um mosteiro reformado, como muitos de seu tempo, em que se procurava viver a vocação monástica de uma forma mais autêntica, sem compromissos com o mundo, seus negócios e interesses, buscando só a Deus na pobreza, no despojamento, no trabalho das próprias mãos, no silêncio e na oração. 

Os cistercienses seguiam a Regra de São Bento, escrito que reflete a sabedoria espiritual daquele que é considerado o patriarca dos monges do Ocidente e que viveu na Itália, no século VI. O pequeno núcleo de Cister desenvolveu-se rapidamente, chegando a ser uma grande influência na Igreja, pouco tempo depois de sua fundação. São Bernardo teve um relevante papel na expansão e difusão da Ordem e de sua espiritualidade no século XII. 

Desde o início, foi decidido que todos os mosteiros da Ordem seriam construídos em honra da Virgem Maria, o que traduzia sua terna devoção à Santa Mãe de Deus que marcou a espiritualidade cisterciense. Nisso mostraram-se filhos de seu tempo, o século XII. São Bernardo destacou-se neste aspecto, tendo escrito belíssimos sermões sobre Nossa Senhora que, se não são inovadores em termos de Mariologia, têm o mérito de expor de forma correta e brilhante o melhor da doutrina mariana da época. 

Com o crescimento e a diversificação dos mosteiros, sem falar na incorporação à Ordem de inteiras congregações monásticas, nem sempre conseguiu-se manter o ideal original em toda sua pureza e fidelidade. Além do mais, os inúmeros mosteiros espalhados pela Europa deviam submeter-se a condições distintas e variadas, o que exigia adaptações e abrandamentos na forma de vida inicial. 

Embora a Ordem tivesse uma relativa centralização, com a reunião anual de todos os abades na casa-mãe Cister, a uniformidade tão desejada pela Carta de Caridade, documento que estruturou a Ordem nascente, ficou de algum modo vulnerada. Esse documento, obra datada do primeiro quarto do século XII, preconizava o vínculo da caridade como peça fundamental para o relacionamento entre os mosteiros. Proibia as relações econômicas de dependência (pagamento de tributos ou rendas) e insistia no socorro mútuo e na solidariedade entre as diversas abadias, sobretudo no plano espiritual. A harmonia desta estrutura e seu elevado ideal deram grande vigor à reforma cisterciense. 

Quando São Bernardo morreu em 1153, a Ordem contava com 338 abadias, número que continuará em expansão até meados do século seguinte. Nessa época, contudo, já haviam surgido as ordens mendicantes (dominicanos e franciscanos) e o recrutamento vocacional será menos intenso. 

A Ordem não deixou de sofrer as vicissitudes dos tempos em que viveu.  As imunidades de que gozavam os cistercienses levaram a um certo relaxamento. A grande expansão dos mosteiros teve como consequência um enfraquecimento do Capítulo Geral, pois nem todos os abades podiam comparecer anualmente a sua reunião. Também a Peste Negra, a Guerra dos Cem anos e as guerras de religião causaram muitos danos e a perda de mosteiros. 

Enfim, fez muito mal à Ordem a prática da comenda, costume de entregar abadias a pessoas de influência, estranhas à comunidade monástica, para que desfrutassem de suas rendas. Tais pessoas eram chamadas de abades comendatários que, via de regra, não se preocupavam com a qualidade da vida espiritual dos monges. Nasceram, ainda, com o tempo, as congregações, agrupando mosteiros por países ou regiões. 

Embora conflitantes com a proposta inicial de união em torno do Capítulo Geral, as congregações permitiram um certo revigoramento, não sem prejuízo da uniformidade do início. Aliás, não faltaram movimentos de reforma no seio da Ordem, o que deu origem à estrita observância. A convivência, porém, entre as casas reformadas e a demais nem sempre foi pacífica, até que a grande secularização do final do século XVIII e início do XIX suprimiu grande parte dos mosteiros cistercienses. 

O que restou da Ordem, incluindo as comunidades da estrita observância, permitiu o seu reflorescimento. Em 1892 separam-se os dois ramos, tornando-se a estrita observância uma ordem independente. Atualmente as duas ordens possuem casas espalhadas pelos cinco continentes, sendo que nove delas estão implantadas no Brasil.



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